No último post, discutimos o conceito das ciências ômicas e vimos alguns exemplos sobre o uso da genômica e da transcriptônica. No texto dessa semana, daremos enfoque a outras duas áreas importante das ciências ômicas: a proteômica e a metabolômica.
Proteômica: o estudo das proteínas
Indo além do estudo do genoma (genômica) e da expressão gênica (transcriptômica), a proteômica se dedica ao estudo das proteínas. Em outras palavras, estuda o que de fato é transcrito e traduzido a partir do genoma. Assim, a proteômica tem como objetivo analisar a estrutura e a função das proteínas presentes na amostra, assim como de quantificá-las.
Enquanto que o DNA pode ser entendido como depósito do manual de instruções para as funções vitais do sistema biológico, o RNA mensageiro, como o nome já indica, pode ser comparado a um entregador de recados para a produção de proteínas, que, por sua vez, podem ser vistas como operárias diretas que realizam o trabalho prático para a manutenção da vida.
Assim como a presença de um determinado gene não garante que esse seja transcrito em mRNA, a quantidade de mRNA não reflete de forma fiel o nível de proteínas expressas, já que isso depende da eficiência da tradução (processo em que os os ribossomos “leem” o mRNA, etapa essencial para a produção de proteínas) e velocidade de degradação da proteína, regulada por diversos mecanismos.
Dessa maneira, o estudo da gama de proteínas presentes reflete o resultado da complexa interação entre os genes e o meio ambiente. Ainda, a proteômica permite visualizar as consquências do splicing alternativo e modificações pós-traducionais, processos que não estão “escritos” no DNA.
Portanto, a proteômica permite a visualização de um retrato mais fiel dos processos que ocorrem no organismo em determinado momento.
No contexto de saúde, a comparação entre o perfil de proteínas expressas em amostras de pacientes saudáveis e pacientes enfermos possibilita a realização de estudos para a identificação de biomarcadores para o diagnóstico precoce de doenças, assim como a previsão de responsividade a determinados tratamentos e de progressão da doença.
Metabolômica: o estudo dos metabólitos
A metabolômica, por sua vez, tem como alvo de estudo os metabólitos, moléculas produzidas durante o processo metabólico, sejam estes essenciais para o funcionamento básico do organismo (metabólito primário) ou aqueles que apesar de não serem diretamente essenciais para o desenvolvimento e reprodução do organismo, conferem vantagem para a sobrevivência.
A metabolômica pode ser útil para o estudo dos mecanismos de resistência de plantas a condições ambientais rigorosos, além de resistência a doenças e pragas, ou destinadas ao estudo da produção de compostos ativos de interesse econômico ou valor nutricional. A partir das informações obtidas, é possível selecionar as linhagens mais adequadas para cada finalidade.
REFERÊNCIAS:
AL-AMRANI, Safa et al. Proteomics: concepts and applications in
human medicine. World Journal of Biological Chemistry,
[s.l.], v. 12, n. 5, p. 57-69, 27 set. 2021. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.4331/wjbc.v12.i5.57. Acesso em: 10 jun. 2026.
YAN, Shijuan et al. Recent advances in proteomics and metabolomics in plants. Molecular Horticulture, [s.l.], v. 2, n. 1, p. 1-38, 23 jul. 2022. Disponível em:
https://doi.org/10.1186/s43897-022-00038-9. Acesso em: 12 jun. 2026.
Por: Natsumi Mizogami




