No texto dessa semana, viajaremos pelo mundo das ômicas.
Mas, afinal, o que significa ômica? E qual é o seu papel na ciência contemporânea?
Ômicas: uma breve definição
O sufixo -ômica é utilizado para indicar o estudo em larga escala de biomoléculas (DNA, RNA, proteínas e outros), com geração de um grande volume de informações. Ou seja, em vez da análise de um gene ou proteína de forma isolada, as ômicas têm como objetivo a análise do todo, e assim, buscam revelar como diferentes componentes biológicos interagem dentro de um organismo.
Assim, as ômicas podem ser aplicadas para diversas moléculas biológicas, como:
- Genômica: estudo do conjunto de genes;
- Transcriptômica: estudo do conjunto de RNA transcritos;
- Proteômica: estudo do conjunto de proteínas;
- Metabolômica: estudo do conjunto de metabólitos.
Genômica: estudo do conjunto de genes
A genômica pode ser entendida como o estudo do genoma, ou seja, o estudo do conjunto de material genético de um organismo. A genômica tem como foco a identificação dos genes e o entendimento de suas funções, assim como análise da interação entre os genes e a interação gene x ambiente.
É uma área que se desenvolveu graças ao surgimento e ao avanço das tecnologias de sequenciamento de DNA, e ganhou um grande impulso após o Projeto Genoma Humano.
A abordagem genômica abriu portas para os avanços na área de medicina personalizada, auxiliando a escolha de medicamentos mais eficazes, o diagnóstico precoce e identificação de predisposições para determinadas doenças humanas. Na agricultura, possibilita o desenvolvimento de plantas mais resistentes e mais produtivas, além de melhoramento do valor nutricional destas. Ainda, possibilita o monitoramento e rastreamento de patógenos, assim como tem papel importante nos estudos de biodiversidade e preservação ambiental.
Vamos conhecer os exemplos de aplicações da genômica?
- Tratamento de câncer: a escolha do tratamento com maior taxa de sucesso pode ser direcionada pelas mutações encontradas pelo sequenciamento do genoma tumoral. Por exemplo, para tumores de mama com fator de crescimento epidérmico humano tipo 2 (HER-2) positivos, na qual há superexpressão de proteínas HER2, que aumentam o crescimento e multiplicação celular, o trastuzumabe pode ser indicado. Este fármaco bloqueia as proteínas HER-2, inibindo ou retardando o crescimento e multiplicação celular. Inclusive, no nosso país, este tipo de tratamento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
- Diagnóstico: O painel NGS (Next-Generation Sequencing) para doenças cardiovasculares analisa centenas de regiões do genoma, facilitando o diagnóstico precoce de cardiopatias hereditárias, permitindo o manejo clínico e rastreamento de indivíduos em risco, por meio de amostras de sangue ou saliva.
- Epidemiologia: Além da identificação do agente etiológico a partir de amostras clínicas, permitem o rastreamento ao longo do tempo e espaço, contribuindo para a definição precoce de áreas de risco, auxiliando as decisões no campo da saúde pública. Um exemplo disso a orientação da escolha das linhagens que compõem a vacina da gripe, fundamentada na vigilância genômica.
- Biodiversidade: A genômica permite o monitoramento e manejo de espécies ameaçadas de extinção. Por exemplo, por meio da coleta de informação genômica, é possível identificar o grau de endogamia, o que permite estruturar a reintrodução de indivíduos de modo a aumentar a variabilidade genética daquela população.
No entanto, o estudo das sequências de DNA não diferencia os genes ativos daqueles inativos. Em outras palavras, a genômica captura apenas o potencial do genoma em manifestar determinada(s) característica(s), e não o que de fato está em atividade. E é neste cenário que as outras ômicas — transcriptômica, proteômica e metabolômica — entra em ação.
No próximo post, exploraremos mais um pouco sobre o universo das ômicas.
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Ministério da Saúde. Trastuzumabe para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo metastático em primeira linha de tratamento. Brasília, DF: 2017. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt br/midias/relatorios/2017/relatorio_trastuzumabe_ca-mama_metastatico_final.pdf. Acesso em: 04 mai. 2026.
THEISSINGER, Kathrin et al. How genomics can help biodiversity conservation. Trends in Genetics, [s.l.], v. 39, n. 7, p. 545-559, jul. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.tig.2023.01.005. Acesso em: 04 maio 2026.
Por: Natsumi Mizogami




